sexta-feira, abril 29, 2005

LÁGRIMAS DE INÊS

Comemorando-se hoje o Dia Mundial da Dança, não posso perder as Lágrimas de Inês que a CriaDança, em estreia absoluta, vai apresentar no Cineteatro Loulenao pelas 21h30. Com coreografia de João Francisco Loureiro, a peça baseia-se no conhecido tema da história portuguesa: o trágico romance entre D. Pedro I e D. Inês Castro. Assinalando-se este ano seicentos e cinquenta anos sobre a morte de Inês de Castro, este trabalho integra-se justamente no âmbito das iniciativas previstas para comemorar a efeméride. Esta história de amor , passada no século XIV, um período muito conturbado da vida portuguesa, e que serviu de inspiração ao trabalho que hoje vai ser apresentado, foi preparada, segundo me informam, numa perspectiva evolutiva e de continuidade, transportando a história para o presente, de modo a torná-la mais apelativa para o público. Antevejo um bom espectáculo de bailado contemporâneo.

quinta-feira, abril 28, 2005

ADÁGIO

Uma ideia resumida
é sempre bem recebida.

quarta-feira, abril 27, 2005

CONFERÊNCIA

Hoje às 18 horas vou ouvir a conferência de José Carlos Vilhena Mesquita, no Castelo de Loulé, sobre a Imprensa Louletana no romper da liberdade. Como só existia a Voz de Loulé, penso que se irá referir à história deste jornal nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril. Espero que ele vá um bocadinho atrás e fale desse famigerado organismo que se chamou Censura ou, se preferirem a versão modernista, Exame Prévio, do qual este jornal foi vítima, não obstante a sua natureza e carácter, de certo modo, conservador .

MINHA ALDEIA

Dedico este poema de Gedeão à minha mãe que hoje faz 79 anos, mesmo sabendo que ela nunca o irá ler.

Minha Aldeia

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valências de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que emergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.

TÓSSAN

Vários amigos teem-me perguntado onde é que eu fui desencantar os poemas de Tóssan que aqui puliquei há dias. De facto, Tossan é mais conhecido como ilustrador ( embora muita gente não saiba que o símbolo da Universidade do Algarve é da sua autoria ) e até divulgador da obra do Poeta António Aleixo. No entanto, ele foi muito mais coisas na vida.Foi Pintor, com muitas exposições ralizadas em várias Galerias e na Sociedade Nacional de Belas Artes. Fez retratos de escritores e poetas de nomeada. Foi um dos fundadores do «Diário de Lisboa Juvenil».Foi caricaturista,Decorador, Vitralista, fez cartazes, capas de discos etc. etc.
A acrescentar a esta resumida biografia, Tóssan também escrevia Poemas e Prosa, digo eu,com imensa graça.
O Actor Mário Viegas, grande amigo de Tóssan, juntou num Documento em 1992, poemas e textos de prosa inéditos, com comentários seus, para um espectáculo que representou a solo, nesse ano, e que se chamava Tótó. Vou aqui respigar algumas palavras do Mário Viegas:
«Tóssan , podia ter sido o maior Actor Cómico (o A e C são de M. V.) da segunda metade deste século(xx).Mas não o quiz: Timidez, Saúde, Humildade.»
«Extraordinário conversador e contador e inventor de histórias, estava-se um serão, em que ele era o Rei!!! Sem cansar!!!»
«A cerimoniosa R.T.P. (por acaso), não apagou a sua intervenção no ZIP-ZIP, o famoso programa de 1969, a dizer «O Futebol», que até está num disco, sobre o ZIP-ZIP.»
«A última vez que o vi, foi nas cozinhas da Casa da Embaixada do Brasil, a fazer rir os empregados todos do cocktail, que passou (claro) para a cozinha até ás tantas !!!»
Obrigado Mário Viegas! Este precioso Documento, que pessoa amiga, infelizmente já falecida, me fez chegar uma cópia, é também uma verdadeira obra prima. Só para ficar registado o Documento intitula-se: «TÓSSAN - mais de cem textos inéditos de antónio dos santos tóssan - com desenhos do autor». Em rodapé « Homenagem de Mário Viegas».

terça-feira, abril 26, 2005

AINDA O 25 DE ABRIL

Morrer de emoção democrática

Depois de n Palestras sobre o 25 de Abril nas Escolas do Concelho de Loulé e Sociedade Recreativa Parragilense, neste caso com o Afonso Dias e a Margarida Tengarrinha, o que faço sempre com muito gosto, dou por mim a folhear um livro que se intitula justamente «25 de Abril», escrito poucos meses depois da data histórica, por vários jornalistas, entre os quais Afonso Praça, Cesário Borga e Albertino Antunes, e registo a referêcia da morte, no dia 26 de Abril de 1974, do Poeta e Escritor Pedro Oom, de 47 anos de idade, com trabalhos editados em diversas publicações.
Causa da morte, segundo a imprensa da época: vítima de emoção democrática.

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de ABRIL

25 de ABRIL

A minha homenagem ao Tossan e ao Mário Viegas

N

Nem tudo vale na vida
mas a vida vale tudo,
vale o nascer e morrer
vale o perder-se a infância
vale acender a beleza
vale ganhar-se a distância
vale o vale na paisagem
vale o sol e o luar
vale a sombra e a imagem
vale a sede e a água
vale o encontro e o desencontro
vale o ver e o antever
vale o protesto e a verdade
vale tudo quanto é puro
e vale escrever num muro
um viva à Liberdade.

Tossan

domingo, abril 24, 2005

DIA MUNDIAL DO LIVRO

Apesar da modernidade dos tempos e dos avanços tecnológicos e científicos, a leitura continua a ser a chave essencial do conhecimento e do progresso.
Na Era da Comunicação e da Informação, onde à escala planetária e em tempo real, se toma conhecimento do que de mais relevante acontece, o livro continua a ser uma porta aberta entre o passado e o presente e uma janela para o futuro.
Sobre esta matéria sugiro o artigo de António Guerreiro, hoje publicado no Expresso, com o título «A nova ordem do livro».

sábado, abril 23, 2005

SOBRE SOPHIA

Há gente em Loulé que ainda não percebeu que Sophia de Mello Breyner Andresen é uma das maiores Poetizas portuguesas de todos os tempos e não só. Pode-se dizer que Sophia é uma escritora globalizada, pois a sua obra está traduzida em chinês, italiano, holandês e outros ideomas. A extensa lista de prémios que ganhou, ilustra bem o reconhecimento do seu mérito.
Porém, a grandeza de Sophia não se limita na magia das palavras. Ela era uma indefectível Democrata, com provas dadas, antes e depois Abril.

quinta-feira, abril 21, 2005

VIDA

Se tudo na vida
é pobre
e o porte
é tudo na vida
o portar mal
não é porte
no porte
da própria vida


e, como a vida
não comporta
esse comportar
na vida,
não devemos suportar
aquilo que não importa.

Tossan

A ÚLTIMA OBRA PRIMA DE AARON SLOBODJ

Muita gente perguntará :mas afinal quem este Aaron Slobodj?
Aaron Slobodj (1919 – 1964) foi um dos mais brilhantes e inovadores artistas do século XX. Há pouca gente que saiba, pois o próprio Slobodj se encarregou de apagar sistematicamente as marcas que imprimiu nos mais diversos domínios das artes plásticas e na música erudita. O seu inesperado desaparecimento, em circunstâncias nunca esclarecidas, num navio ao largo das Bermudas, impediu-o, afortunadamente para nós, de levar a cabo a destruição da sua última obra-prima, "Big Bang", um conjunto de imagens e textos, que os especialistas classificam como sendo um magistral feito de narração gráfica sequencial, e que representam a única incursão de Slobodj neste campo. São estes textos e estas imagens, que se julgavam perdidos e foram fortuitamente encontrados em 2002 na cave do Museu Goggenheim de Nova Iorque, que agora restituímos à luz do dia. Estamos não só perante a última obra-prima de Aaron Slobodj, como da única obra que escapou à fúria auto-demolidora do seu próprio criador. No próximo Sábado, 23 de Abril, na Biblioteca de Loulé, vamos ter o privilégio de poder confirmar que se trata de facto de uma excelente obra prima. Lá estará o José Carlos Fernandes, pelas 16 horas, para nos guiar nessa descoberta.

quarta-feira, abril 20, 2005

FUMO BRANCO, NUVENS NEGRAS

A questão essencial, do meu ponto de vista, que se colocava na escolha do novo Papa era saber se a Igreja Católica seria capaz de acertar o passo com o mundo. Do pouco que ouvi sobre este Papa, parece-me que não se terá progredido muito.

terça-feira, abril 19, 2005

AD PETENDUM PLUVIAM

Sobre a grande seca de 1896 escrevia-se no Louletano desse tempo:

«A grande estiagem tem prejudicado imensamente os campos que se encontram num lastimoso estado.
Os lavradores já não têm esperanças de ao menos salvar a semente que lançaram à terra.
Durante a semana têm vindo na noite diferentes grupos de homens e mulheres cantando pelas ruas e pedindo água; dirigem-se depois para a igreja de S. Sebastião, onde se acha a imagem da Senhora da Piedade e ali fazem novas súplicas para que Deus mande água para os campos.
Na mesma igreja têm-se feito preces ad petendum pluvia.»

Louletano, 19 de Abril de 1896

«Na Segunda feira de tarde saiu da igreja de S. Sebastião d'esta vila uma procissão de penitência para implorar ao Altíssimo a graça de algumas chuvas para os campos cujas sementeiras eram consideradas quasi perdidas.
Abria com a irmandade da misericórdia, seguindo-se-lhe as do Santíssimo e Almas das duas freguesias , a da Nossa Senhora da Conceição, a do Senhor dos Passos e a da Ordem Terceira de S. Francisco conduzindo as imagens de Stº Elias , Nossa Senhora da Piedade e Senhor dos Aflitos.
Nunca vimos procissão tão concorrida; é calculado em mais de 8000 o número de pessoas que se incorporaram e acompanharam a referida procissão.
Desde que saiu até que recolheu conservaram-se cerrados os estabelecimentos.»

Louletano de 26 de Abril de 1896

«As chuvas que durante uma noite e um dia cairam, se melhoraram consideravelmente n'alguns pontos os campos, não satisfizeram, contudo por completo as necessidades da agricultura.
A esse pequeno período de chuva sucederam-se novamente os dias d'um intenso calor, que tudo abrasa, colocando os agricultores numa angustiosa situação, como é a de ver perdidas as sementeiras . (...)
Apresenta-se, pois, um ano com caracter da fome e da miséria, para muitas centenas de pessoas.
Os géneros certamente subirão, dificultando mais as condições de vida da classe proletária, que é a que mais se ressente com esta grande calamidade.
Esta província tem ainda a seu favor o recurso dos frutos :figo, amendoa e alfarroba, e oxalá estas colheitas supram o prejuízo que os campos dão.»
Louletano de 5 de Maio de 1896

ANIVERSÁRIO

Se Duarte Pacheco fosse vivo faria hoje 105 anos. Estaria num qualquer Lar da terceira idade e não teria muito provavelmente a notoriedade nem a aurea que as circunstâncias da sua morte lhe deram. Este exercício ficcional não retira um mílimetro à singularidade da sua personalidade nem diminui a sua obra. É sem dúvida uma figura notável da história louletana e nacional. Morreu no auge da sua carreira e isso, salvaguardando a sua vasta inteligência e o seu audicioso espírito empreendedor, contribuiu para a criação do mito.

domingo, abril 17, 2005

Monumento Duarte Pacheco

Assinala-se amanhã, 18 de Abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
Por obrigação de ofício vou conduzir (não sei se é bem este o termo) uma visita guiada ao Monumento que foi erigido em Loulé, em memória do Ministro Duarte Pacheco (1900-1943). O Monumento foi inaugurado em 16 de Novembro de 1953, com a presença do Presidente do Conselho António Oliveira Salazar. O autor do projecto foi Cristino da Silva (1896-1976) , considerado o Arquitecto do Regime (recomendo o livro Luís Cristino da Silva e a Arquitectura Moderna em Portugal de João de Sousa Rodolfo -publicações dom quixote) e contou com a colaboração graciosa dos melhores escultores da época : Leopoldo de Almeida, Barata Feyo, Henrique Moreira, Álvaro Breé, João Fragoso Martins Correia, Raul Xavier, Anjos Teixeira, António Duarte e Euclides Vaz.
A visita é ás dez horas no local e espero que apareça gente interessada.
Prevejo alguma polémica sobre o tema que já não é novo e que se centra basicamente na questão se deve ou não voltar a colocar a palavra SALAZAR que estava esculpida na pedra do muro de suporte para identificar o autor da frase que lá está :«Uma vida vivida velozmente vivida e inteiramente consagrada ao progresso pátrio» e que foi retirada em 1974.

sexta-feira, abril 15, 2005

Miguel Torga e os autógrafos

São conhecidas as reticências de Miguel Torga em dar autógrafos. Contam-se inúmeras histórias sobre este assunto.
Porque será que ele escreveu uma histórica dedicatórica num dos seus Diários, que ofereceu pessoalmente a António Aleixo, onde escreve Poeta com pê grande para se referir a Aleixo?

Cândido Guerreiro

Quando será que aparece um estudioso penetrante, inteligente e original da obra de Cândido Guerreiro?
É uma pena que um dos maiores Poetas Algarvios da primeira metade do sec xx permaneça praticamente desconhecido da esmagadora maioria dos Portugueses. E o mais grave é que mesmo que alguém queira conhecr a sua obra, não encontra nehum livro seu nas livrarias, porque há muito que se encontram esgotados.
Porque não aproveitar a iniciativa Faro - Capital Nacinal da Cultura para reeeditar a sua obra ?

GENTE CULTA

Iguala-se cultura a saber escolar,como se na prática quotidiana o homem se não instruisse, como se o seu saber fosse qualitativamente diferente do outro. Não há gente culta e gente inculta. A cultura é só uma, tudo o que aprendemos do nascer ao morrer, de nossa invenção ou alheia, sentados nos bancos da escola ou da vida.

Manuel Viegas Guerreiro in «Para a história da literatura popular portuguesa»

A propósito de instrução ...

«As crianças para serem instruidas e felizes, não precisam de aprender a ler. Basta-lhes que conheçam bem o catecismo para saberem bem tudo aquilo que precisam.» terá dito o Bispo do Algarve, D. António Barbosa de Leão, no início de 1910. Tomaz da Fonseca arrasa o Bispo, em artigo na Alma Nacional do António José de Almeida, numa linguagem dura, bastante violenta e até ofensiva. Faz-me lembrar, noutro sentido, o poema de Augusto Gil:

Olhai, amigos, quanto pode o ensino !
Alguns de vós sois pais, outros avós;
pois só por saber ler este menino
é já maior do que nenhum de vós.