sexta-feira, junho 17, 2005

ANTÓNIO RAMOS ROSA

Quero ser outro e é outro que eu me vejo
sentindo que sou eu sem saber quem sou eu
Escrever é sempre outra versão
de um texto que nunca se chegou a compor
Mas é igualmnte a diversão
que nos faz vacilar entre o eu e um outro
sem necessitar de ser um outro

Há sempre quem procure saber quem é o autor de um texto
como para lhe pedir contas ou referências exactas
mas quem escreve desvia a trajectória paralela
para ser o que já sendo um outro
nunca o é o seu movimento para ele

Ninguém pode decidir Ele é um outro
porque ele é o processo de uma transformação
em que é uma invenção o reconhecimento
e que só é não sendo ou sendo um outro