quarta-feira, julho 06, 2005

MARGARIDA

O Poeta Cândido Guerreiro era licenciado em Direito. Formou-se em Coimbra, com trinta e cinco anos de idade, e no regresso à sua terra montou banca de advogado em Loulé. Há um episódio poético passado em pleno Tribunal de Loulé, envolvendo outro grande Poeta/Advogado, João Lúcio de Olhão que vou aqui sumariamente registar. Durante um julgamento Cândido Guerreiro ia escrevendo numa folha de papel: Margarida, Margarida .... João Lúcio que estava sentado ao seu lado reparou naquilo e escreveu:

Margarida

Cândido, que nome é este
Que boia na tua vida?
Ó Fausto de barba negra,
Quem é esta Margarida?
A quem pertence este nome
Que tu poluis nestas bancas?
A que sonho todo aromas
E cortado em curvas brancas?
É de algum huri ardente
Mordida de predarias,
Atravessando os desertos,
Em caravanas sombrias,
Para ir escutar a lenta
Murmuração do luar
Nas solidões azuladas
Do mar?!
É de alguma favorita
Do teu harém ideal,
Ó meu sultão desterrado,
Fingindo-se advogado,
Porém sultão, afinal ?!

Cândido Guerreiro leu o poema e de imediato respondeu:

Margarida

Este nome é da mulher
Que brilha na minha vida,
Como sobre a noite negra
Brilha uma estrela perdida.
Com este nome de lenda
Eu enobreço estas bancas,
Enchendo-as de sonho e aromas
E a graça das rosas brancas.
É, sim, de uma huri ardente
Que é linda sem pedrarias...
Ela guia no deserto
As caravanas sombrias
Dos meus desejos, mais altos
Que as regiões do luar,
E mais inquietos que as ondas
Do mar.
Ela é mais que favorita,
É a sultana ideal,
E eu seu escravo, exilado,
Fingindo-se advogado,
Porém escravo, afinal ...

Conclusão: Esta Margarida era afinal Margarida de Sousa Costa com quem o Poeta Cândido Guerreiro viria a casar pouco tempo depois.

1 Comments:

At 10:52 da manhã, Blogger Cerejinha said...

Ai as Margaridas, as Margaridas...que enchem folhas de papel e campos primaveris...
:-)

 

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