sexta-feira, setembro 30, 2005

PROFETAS DA DESGRAÇA

O grande tremor de terra de 1755 faz agora 250 anos que desvastou o Agarve, para não falar de Lisboa. Dizem alguns, que estes fenómenos são cíclicos e que o intervalo de ocorrência é mais ou menos 200-250 anos. O Algarve é a zona do País de maior risco sísmico. Isto não é para amedrontar ninguém.Até porque toda a gente sabe isto, a começar pelos nossos empreiteiros e industriais da construção.

quarta-feira, setembro 28, 2005

DIA MUNDIAL DO TURISMO

27 de Setembro
A nossa salvação ( Algarve) só tem um sentido: diferenciação e qualidade. Basta de discursos bonitos e inconsequentes. É tempo de meter mãos à obra.

terça-feira, setembro 20, 2005

UMA CHAMA NÃO CHAMA A MESMA CHAMA

uma chama não chama a mesma chama
há uma outra chama que se chama
em cada chama que chama pela chama
que a chama no chamar se incendeia

um nome não nome o mesmo nome
um outro nome nome que nomeia
em cada nome o meio pelo nome
que o nome no nome se incendeia

uma chama um nome a mesma chama
há um outro nome que se chama
em cada nome o chama pelo nome
que a chama no nome se incendeia

um nome uma chama o mesmo nome
há uma outra chama que nomeia
em cada chama o nome que se chama
o nome que na chama se incendeia

E.M. de Melo e Castro

O ALGARVE ÁRABE

Chelb (Silves) ao sul, Hayrun (Faro) mais ao norte, eram as duas cidades principais do Al-Faghar; mas a primeira excedia em muito a segunda.Contava cerca de trinta mil habitantes, era opulenta em tesouros e formosa em construções. Davam-lhe a primazia entre as cidades da Espanha árabe. Vestida de palácios coroados pelos terraços de mármore, cortada de ruas com bazares recheados de preciosidades orientais, cercada de pomares viçosos e jardins, Chelb era a pérola de Chenchir, onde os pródigos da Mauritânea vinham gozar com as mulheres formosas, de puro sangue árabe, os seus ócios luxuosos.

Oliveira Martins in História de Portugal

segunda-feira, setembro 19, 2005

O ARGARVE PARADISÍACO

Uns anos antes de Brandão, em 1904, Manuel Teixeira Gomes em Cartas Sem Moral Nenhuma, escrevia:« Eu ia correndo o litoral algarvio, que é um ininterrompido jardim, muito povoado de gente e de arvoredo; as amendoeiras, agora, na realidade do sol,atraíam de novo as minhas imagens, que nelas pousavam de envolta com as abelhas.Havia-as tão fechadas em flores que perdiam a sua forma de árvores e plagiavam formas fabulosas, ou ajoelhando, como anjos vestidos de arminho, ou tremendo dentro de imensos véus de noivas, ou arremetendo, de pé, à moda dos ursos brancos, ou correndo sobre os esgalhos curvos, -- despropositados aranhiços de flores rosadas...».

sexta-feira, setembro 16, 2005

CARTAZES DE ANTIGAMENTE

Raúl Brandão andou pelo Algarve e escrevou muito sobre a região nos primeiros anos do século passado. Respigo: «O Algarve litoral é um pomar, terra de hortelões, e, exceptuando Olhão, de marítimos de sequeiro.(...) As amendoeiras neste tempo transformam todo o Algarve. Há-as pequeninas e redondas desentranhadas com emoção. Há-as enormes, formando uma só flor. Há-as que vergam ao peso da brancura e que perfumam a estrada.Há-as cor de rosa e cor de mosto.Há-as casadas com velhos troncos de oliveira carcomidos.Há-as em grupos ao pé de tocas felizes, quatro paredes e um telhado no meio de um campo, onde corre um rego de água cheio de junquilhos.»

quarta-feira, setembro 14, 2005

O INFANTE

Ó meu Infante belo, vai chover !
Deixe de olhar o mar que pode arrefecer!
Basta de tantos conselhos:
Já oiço ao longe a canção
Dos soldados que chegam amanhã
De manhã na embarcação!

Tem a cara moída, o olhar pisado,
A Pátria veio vê-lo e nem a viu!
Chorou de o ver tão pálido e partiu
Dizendo adeus à «Vila do Infante»!
Depois parou à porta e disse : É um navegante
Na loucura divina de mandar!
Voltou-se, novamente, e a soluçar
Disse : Coitado! Há-de morrer no mar!

António Botto

D. HENRIQUE

A primeira pessoa que descobriu que o Algarve podia ser útil ao País e ao mundo foi D. Henrique, o homem dos Descobrimentos.

terça-feira, setembro 13, 2005

O BANDO NA ALDEIA

Em Querença. Para seguir com atenção.

segunda-feira, setembro 12, 2005

CASAMENTOS DE CAVALARIA

O Barranco do Velho, lugarejo típico da serra do caldeirão, situado na confluência da estrada nº2 que vai de Torrão a Faro com as que vão para Silves, Loulé e Alcoutim, já foi um sítio importante, quando quase toda a gente que tinha que ir ou vir de Lisboa passava lá.No início do sec xx perdeu-se uma tradição que durante muitos por ali se praticou. Refiro-me aos casamentos de cavalaria -- prática nascida, talvez, do isolamento a que obrigava a falta de vias de comunicação com Salir, sua freguesia eclesiástica, e, de uma igreja local, aonde,pela incomodidade do transporte, que era feito a cavalo, apenas se deslocavam duas mulheres, a noiva e a madrinha - cujo ponto culminante era a corrida à desfilada, dos moços solteiros, participantes do séquito, para a disputa do direito, concedido ao vencedor, de escolher noiva entre as moiças casadoiras que ficavam na casa da bôda a judar nos aprestos da mesma e ali se postavam, em fila, para a cerimónia, no momento da chegada, anunciado por foguetes, todas elas confiantes nos seus dons e graças.
Estou convencido que se isto se mantivesse nos dias de hoje, a taxa dos divórcios aumentava consideravelmente.

AS TERMAS DA BENÉMOLA

Actualmente só não bebemos água engarrafada da Benémola porque o complexo termal projectado nos anos vinte do sec xx, para aquele local privilegiado de clima sanatorial, ar puríssimo e abrigado dos ventos, não foi para a frente. A concessão foi feita, os projectos de um hotel e balneários, em estilo neo árabe, e pelos vistos grandioso, foram elaborados, mas nada se fez. Desconheço as razões da desistência.

AS ÁGUAS DA BENÉMOLA

Sobre estas águas já muito se falou e escreveu. Sobre as suas características mineralógicas, medicinais, milagrosas etc.etc. Baptista Lopes na sua Corografia, em meados do sec XIX, disse : «Em cima das águas da ribeira da Benémola há uma fonte do mesmo nome, ao presente grosseira e tôsca de boa fábrica e muito antiga; nasce ela debaixo duma íngreme rocha, de norte para sul, deitando tão grande porção de água, e com tal ímpeto e violência que corta a ribeira que já ali é bastante larga e de muita água e vai lançar-se na margem fronteira.
No Verão quando a ribeira se seca, ela só dá água para mover os moinhos, que estão construidos na sua corrente.
Tem a virtude de fazer expelir as sangessugas, que ela as não cria.»
Hoje dá pena ver tanta secura.

sexta-feira, setembro 09, 2005

SUSTENTABILIDADE

Vou esta tarde ouvir as estratégias de sustentabilidade do Prof Ernani Lopes. Ás 18h na Sala Duarte Pacheco em Loulé.Do que lá se disser procurarei fazer a síntese para publicar na próxima ediçao do Barlavento.

quinta-feira, setembro 08, 2005

NOVO LIVRO DE NETO GOMES

Conheço o Neto Gomes há mais anos do que ele me conhece a mim. Não posso precisar quantos, mas há com certeza mais de vinte. Hoje vai ser apresentado ,na Biblioteca de Loulé, o seu último livro.Quer ele que eu lá diga umas palavras sobre a sua pessoa.Não vai ser difícil, tendo em conta as caracteristícas e a singularidade da sua personalidade.

quarta-feira, setembro 07, 2005

OLHEIROS CULTURAIS

Concordo com o Pedro Teixeira Neves, a cultura devia ser como o futebol.No futebol mandam-se uns olheiros aqui e ali, às voltas pelo país, a descobrir talentos e a tentar sacar as melhores futuras vedetas do campeonato, trazendo-os para os melhores clubes.Se isto acontecesse na cultura havíamos de ter, em várias vertentes, uma linha avançada de candidatos ao Nobel de primeiro plano. Enquanto isto não acontece cá vamos lidando com o que temos, nem sempre bem. Veja-se o caso do Ballet da Gulbenkian .

terça-feira, setembro 06, 2005

O ILUSIONISTA

Grande reportagem com o José Carlos Fernandes, ícone da Nona Arte, da autoria de João Carlos Morales na revista «os meus livros» de 4 de Setembro último.
«Gosto de brincar com o leitor» A malta não se importa e até gosta de alinhar na brincadeira.Porque são brincadeiras de valor acrescido.

A LESTE - ALGO DE NOVO

Sempre ouvi dizer que o pessoal do leste é mais culto, tem uma formação mais esmerada etc. etc. Acabo de tomar conhecimento que afinal as coisas não são bem assim pelo menos no que aos russos diz respeito. Então não é que os conterrâneos de Pushkin, Dostoievsky, Solzhenitsyn e Tolstoi não andam a ler quase nada. Segundo um estudo recentemente divulgado só 23% dos russos confessam ler regularmente, 80% nunca entrou numa biblioteca e aquilo que se vai vendendo, segundo a Associação de Livreiros lá da terra, são principalmente « romances cor de rosa».É caso para dizer: o império russo caíu definitivamente em desgraça.

segunda-feira, setembro 05, 2005

LEI DA VIDA

Nestas férias perdi grandes amigos, pessoas por quem tinha grande estima e consideração e nalguns casos grande admiração intelectual. O Prof José Pedro Machado era uma pessoa extraordinária, com uma capacidade de trabalho fora de comum até ao fim da vida. Sempre cheio de projectos.Vivia rodeado de livros e todos os dias marcava presença na Livraria Portugal.Quando queria falar com ele era lá que eu me dirigia.Era um grande Dicionarista e também arabista. Deixou uma obra assinalável.
A Ilda foi-se na flor da idade.Era determinada, enérgica, gostava de uma boa discussão.Recordo com saudade a defesa dos seus pontos de vista, a forma acalorada com que expunha as suas ideias, mesmo em volta de uma imperial.
O Jorge Palmeira era um gentleman, amigo de toda a gente, sempre pronto a ajudar quem precisasse de ajuda.De trato fácil e extremamente simpático. Dava gosto conversar com ele sobre qualquer assunto.
A minha homenagem aos três.

NOVO CICLO

Retomo hoje a minha actividade laboral e simultaneamente os meus prazeres bloguísticos. Foram dias de propositada abstinência. Embora não tenha saído do Algarve, e o Algarve não seja , para mim, o que era para Miguel Torga, um dia de férias na pátria, estive em sítios maravilhosos, pouco conhecidos e bonitos por natureza, au dessus de la mêlée. São as vantagens de estar cá o ano inteiro.