segunda-feira, setembro 19, 2005

O ARGARVE PARADISÍACO

Uns anos antes de Brandão, em 1904, Manuel Teixeira Gomes em Cartas Sem Moral Nenhuma, escrevia:« Eu ia correndo o litoral algarvio, que é um ininterrompido jardim, muito povoado de gente e de arvoredo; as amendoeiras, agora, na realidade do sol,atraíam de novo as minhas imagens, que nelas pousavam de envolta com as abelhas.Havia-as tão fechadas em flores que perdiam a sua forma de árvores e plagiavam formas fabulosas, ou ajoelhando, como anjos vestidos de arminho, ou tremendo dentro de imensos véus de noivas, ou arremetendo, de pé, à moda dos ursos brancos, ou correndo sobre os esgalhos curvos, -- despropositados aranhiços de flores rosadas...».